domingo, 28 de fevereiro de 2010
Quando Cabral encontrou Nassau
A conversa vai ser toda traduzida, para evitar confusões. Mal-entendidos são inevitáveis...
– Cabral, você por aqui?
– Pois. E tu, quem és?
– Eu sou o Maurício...
– De Nassau?
– É, ué. Por que o espanto?
– Podia ser o da música do Casseta & Planeta...
– Casseta & Planeta? O que é isso?
– Ah, deixa pra lá. Coisas da minha terra, o Brasil.
– Sua terra? Mas você não é português?
– Era. Até descobrir o Brasil. Agora me considero um brasileirinho da gema.
– Pois é, eu também me sinto assim. Você descobriu, eu invadi. Quer dizer, invadi, não, fui administrar a parte que cabia à Holanda no seu latifúndio.
– Isto parece música do Chico Buarque.
– E é. Mas até ele se diz de Holanda! Tenho licença para citar a música, oras. Mudando de assunto, você sabia que muitos brasileiros estão descobrindo a Holanda, agora?
– Não!
– E até vivendo lá.
– Como sabes tu de tudo isto? Ainda tens conexões na Companhia das Índias?
– Não, agora minha conexão é com o Chefe, aqui em cima. E também consulto os jornais diariamente. Afinal, lá se vão mais de 400 anos do meu trabalho no Brasil. Eu tenho de me atualizar. Você não?
– Bom, eu confesso que leio mais a parte de piadas e do que passa na TV. Se me podes atualizar um pouco mais...
– Sem problemas! Podemos fazer isso tomando um cafezinho?
– Bom, melhor um chá. Afinal, pelo visto, nós vamos é para aquela cafeteria com vista para a Holanda...
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Hoje igual a ontem? Não sei, não...
O que faz um dia diferente do outro, afinal? A resposta tem duas letras: eu. Ou quatro: você. O que eu posso fazer para que este dia seja diferente de ontem? Para que seja melhor, mais de acordo com aquilo que eu sou – ou quero ser? Preciso largar o trabalho, dar uma guinada, chutar o balde ou o pau da barraca? Talvez. Mas talvez não.
Talvez eu precise me renovar, ver o cotidiano de outra maneira. E, dentro dele, não me repetir, se eu não quiser. Dar um bom dia diferente para alguém, mudar de calçada, escolher outro caminho pra chegar ao trabalho... Olhar para aqueles que amo como se os estivesse vendo pela primeira vez. Não haverá, na minha história, e na sua, um dia igual a hoje. Não haverá um momento igual a este. Que já se acabou, enquanto eu escrevia e você lia este post... Vamos lá?
De volta ao aconchego
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
A vida não pára
Fico pensando que nascimento e morte também são ritos de passagem. Não para os que nascem e morrem, mas para os que estão ao redor. São momentos de emoções profundas: alegria ou dor, que nos conectam com o que temos de mais sagrado em nós: a nossa vida. Que, como diria o Lenine, não pára. E nos convida a viver de maneira mais intensa, do que simplesmente contando dias e horas.
Hoje, quando acordei e vi tudo branquinho de neve, primeiro pensei: “nossa! Mais um dia de neve!” Depois, digerindo as notícias, pensei melhor: “que bom! Um dia único, um momento irrepetível, e está nevando...” Por mais pressa que ou desejos que se tenham, a vida tem seu ritmo. E segue, frágil e majestosa, profunda e brilhante, oferecendo-nos nada mais do que um momento, a cada momento. Cabe a nós fazê-la “infinita, enquanto dure”. Ou não.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
A revolta da máquina (de pão)
Pois estava eu aqui, outro dia desses, preparando um pãozinho. A coisa é simples: você (no caso eu) pega o pacote de mistura para pão, abre, coloca o conteúdo dentro da maravilhosa máquina de pão. Pega água, manteiga e põe lá, dentro deste maravilhoso aparato com que nos brinda a tecnologia. Aperta um botão pra escolher a espessura da casca e outro para começar o trabalho. E aí é só partir pro abraço.
Daquela vez, foi um abraço de tamanduá. Ou de urso, já que acho que nem tem tamanduá, aqui. No meio do processo, comecei a sentir um cheiro de queimado. Fui até a cozinha. Quando chego lá, descubro que o cheiro vem da maravilhosa máquina de pão. Abro a tampa e a fumaça se espalha por todo o ambiente – que tem detector de fumaça. Abri todas as janelas, também. E dentro da máquina... Ah, dentro da maravilhosa máquina de pão tinha massa por todos os cantos, cantinhos e cantões. Queimando...
Corro para desconectá-la da parede. Puxo a tomada, que se desfaz na minha mão. Consigo tirar o que resta e então a paz se faz na cozinha. Depois de limpar aquela gosma toda, claro! Mas o suspense continua. Será esta uma rebelião de todas as máquinas? E se for, qual será a maravilhosa máquina da vez? Hehehe
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Vida e morte cerebral
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Plunct, plact, zuuum :)
Para quem quiser ver os tamanhos do universo, aqui está o link:
http://uploads.ungrounded.net/525000/525347_scale_of_universe_ng.swf
E, para matar as saudades da infância,
http://www.youtube.com/watch?v=fO2OMVmF3GU
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Deus e os fractais
O apresentador do programa, cientista, usou uma expressão que adorei: os fractais seriam a “impressão digital de Deus”. ‘Viajei’, na hora: metaforicamente falando, seremos todos nós, seres animados e inanimados, pequenas impressões de Deus no mundo, de maneira tão profunda que alcança até o nível fisiológico? Desse Deus que é tão infinito, que se multiplica nas suas várias facetas e nunca se esgota...
P.S.: Obrigada pelos comentários de vcs! Fiquei superanimada! :)
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Momento hortifruti
Enquete virtual: alguém já ouviu falar de couve-rábano? E, conhecendo tal hortaliça, teria alguma receita para prepará-la? É, as minhas aventuras pelo mundo mágico da cozinha continuam. A julgar pela variedade de vegetais que nunca vi na vida, em pouco tempo vou trocar “mágico” por “esotérico”. Esse mundo culinário se torna cada vez mais misterioso...
A danada da couve-rábano fica me olhando cada vez que abro a geladeira. Perguntei ao mr. Google o que fazer com ela, e ele me mostrou algumas receitas para saladas. Mas estamos em pleno inverno, aqui. Já procurei receitas em inglês, holandês... Mas aí o problema não é a couve-rábano, é o vocabulário. Socorro! Receitas e respostas para este blog.
Caixa
Era sua desde sempre. No berço já lhe fazia companhia. Quando ainda não conseguia associar imagens a pensamentos, atentava para as cores emanadas quando a luz incidia sobre ela, variando de acordo com o lado que observava. Na escola, aprendeu que seu brinquedo de cristal era “um cubo”. Nem todos aprendiam.
Caixa ou cubo, parecia mágica. Cada lado mostrava um mundo. Tons de inverno transformavam-se em folhas caintes, outono puro em época de frio sórdido. Bastava saber que era possível trocar de aresta enquanto observava. Nem todos sabiam.
Escolher um lado para ver a dor, outro para as matizes de atitudes. Em qualquer morte, podia ver a alma entregando-se ao céu, feliz fumaça de ouro na tarde até então enlutada. Nem todos viam.
Uns lados pareciam mais fáceis de ver. Neles, mostravam suas insatisfações, dores, cotidianos. Como demorou a descobrir que, ao virar o cubo mágico, lá estavam versões de outros sobre suas histórias! Poucos descobriam. E amou a caixa até a morte. Todos morrem.
A tampa e a empada
Minha melhor amiga é também a pessoa mais diferente de mim que eu conheço. Somos parecidas fisicamente, mas totalmente diferentes em termos do que pensamos e como vivemos. Por exemplo, ela é 100% racional, eu, 100% emocional. Ela gosta de cozinhar, eu, de comer. Eu sou católica, ela não tem religião. Brincamos a respeito, dizendo que somos gêmeas opostas.
Todas essas diferenças, no entanto, nunca foram motivo de discussão ou de desentendimento. Pelo contrário, muitas vezes, antes de tomar alguma decisão, uma consulta a outra, para ter uma perspectiva mais ampla da situação. Se é preciso um pouco mais de razão, falo com ela. Já se é a emoção que faz a diferença naquele momento, ela conversa comigo. Esta amizade tão singular é absolutamente harmônica – apesar de com acordes dissonantes – desde 1992, praticamente todos os dias.
Sempre pensamos sobre como isso pode acontecer, porque, a cada vez que nos falamos, descobrimos mais e mais diferenças, inclusive nas coisas mais simples. Por exemplo, gostamos de empada, mas eu do recheio, e ela da “tampa”. Dia desses, filosofando sobre isso, encontramos a resposta.
Descobrimos que, na nossa amizade, o grande segredo da convivência não é a tampa, muito menos o recheio da empada, mas a azeitona. Uma gosta mais da massa, outra do recheio? Sem dúvida! Isso vai mudar, algum dia? Provavelmente não, já que há quase 20 anos é assim. Mas concordamos em um ponto: a azeitona. Toda empada deveria ter azeitona. Então, hoje em dia, penso que essa é a idéia.
Você discorda de seus pais, irmãos, marido (esposa), namorado(a)? Normal. Ninguém tem de pensar igual, mesmo, e isso não é um problema. Problemas podem aparecer, sim, mas na maneira de conduzir a situação. Porém, lembre-se de que é possível um consenso. Procure a azeitona. Ela está lá. Dentro do recheio, inteira ou em pedaços, mas está lá, dando graça a todas as empadas.
Afinal, o destino do Narciso é o fundo do lago. Se você só gosta de pessoas parecidas com você e só consegue conviver e se relacionar com elas, qual é a graça? Você vai passar a vida tendo acesso apenas aos pontos de vista que já conhece. E, mesmo só procurando gente parecida com você, em algum momento vai haver discordâncias, diferenças. E que bom que seja assim!
Vida é diferença, literalmente! Outro dia, aprendi que o que faz o coração bater é a diferença de concentração e de potencial elétrico entre sódio e potássio nas células. Se ficar tudo igual, o coração pára... Interessante, não?
Procure a azeitona. Ela dá gosto à empada como um todo, seja ela com tampa ou sem. E, além do mais, é muito gostosa! Ou você não gosta de azeitona?
O primeiro post a gente nunca esquece!
P.S.: Tenho também alguns textos mais "sérios", que vou disponibilizar.
