quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Contando na Holanda


A matemática é a mesma em qualquer parte do mundo. Só que aqui tem um pequeno detalhe: na hora de falar os números, a unidade vem antes da dezena. Um exemplo: escreve-se 41, mas se diz 1 e 40. Legal, né? Pois é. Imaginem só o que me aconteceu quando fui levar a bota até a sapataria.
Toda prosa, entrei na loja e dei boa tarde ao sapateiro em holandês. “Tô arrasando”, pensei eu, em português. Mostrei as botas, falei que queria trocar a sola, perguntei se era possível. Sim, sim, me disse ele. Tudo isso em holandês. Maravilha! E o preço, quanto seria?, indaguei. Een (1) en viertig (40) euro, respondeu ele. E aí é que foi o busílis. Claro que eu entendi 1,40, né. Já tinha até separado as moedas para pagar, quando me dei conta do erro. Xiiiiii... Ainda bem que eu tinha levado o meu cartão do banco, senão eu ia ficar descalça! Noventa e nove beijos para vocês! Ou nove e noventa?
(O crédito da foto é de Gokhan Okur)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Novo familiar


A família Veneu-Lumb tem uma nova integrante. Calma, gente, é uma gata. Quer dizer, outra :))) Ela foi chegando, chegando, até que um dia se aninhou no sofá pra nunca mais sair. Houve uma certa controvérsia sobre o sexo do bichano, por conta da cor do pelo, mas agora é certo: Mia é menina. Até então, ela se chamava Maurits. E atendia! Mas enfim, estamos na Holanda, tudo aqui é muito livre de preconceitos, quando o assunto é sexualidade. Vou contar mais sobre a Mia em outros posts. Ela é uma figuraça!

O primeiro apfspraak a gente nunca esquece

Campanhas publicitárias vão e vêm, mas boas frases ficam. E, de verdade, este post nasceu a partir do título. Durante minhas aulas de holandês, aprendi que todos os compromissos cabem nesta palavra: afspraak. Seja com um amigo, o médico, o dentista, ou até mesmo o afinador de pianos, que vem aqui esta semana, é preciso marcar um afspraak. No curso de holandês, tínhamos de ter um com o vizinho, para treinar a conversação. Só que, no meu caso, havia uma dificuldade extra: não entendo absolutamente nada do que ele diz. Já tentamos trocar uns espelhinhos, colares de contas, chocolates, mas, quando se trata de palavras, o meu desespero é completo.
Comentando isso com uma das amigas do coro, ela me fez um dos convites mais gentis que já recebi aqui: ir à casa dela, para tomar um chá. Assim nasceu a oportunidade para o meu primeiro afspraak 100% holandês.
Aqui é preciso levar flores, ou cookies, ou chocolate, para a pessoa que a gente vai visitar. Optei pela opção mais light e fui em frente. Cheguei com um lindo buquê – mais o casaco, o guarda-chuva, o sobretudo... Mas isso daria outro post – E foi uma manhã fantástica! Conversamos muito mais do que o previsto no roteiro e chegamos àquele ponto de compreensão em que as palavras já não fazem tanta diferença. Voltei para casa com o dever completo e a alma plena. Trouxe também uma certeza: do primeiro afspraak a gente nunca esquece.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Reformatar

Então você escreveu um documento, preparou tudo e vai imprimir. Quando ele aparece na tela, você se dá conta de que sobra – ou falta – espaço na margem. Na diagramação, quando há mais texto do que o projeto gráfico pode comportar, costuma-se dizer que o texto “sangrou”. Sangrando ou faltando, é preciso um reajuste, senão a página vai sair com danos, diferente do projeto original. Que fazer? Voltar ao arquivo e formatá-lo novamente. Reformatar, como a gente costuma dizer.
Seria possível reformatar uma relação? Escolhas erradas, que não podem ser refeitas, podem nos levar a uma impressão inadequada. Com ou sem sangramentos, com espaço a mais ou a menos, daquele jeito original não funciona. Que fazer? Será que existe um modo de corrigir o rumo? Ou aquela impressão está destinada a se perpetuar por todos os dias, horas, momentos...?

quinta-feira, 11 de março de 2010

De volta ao começo

Hoje acordei meio “regredida”. Fui escolher as músicas que vou ouvir durante o dia, enquanto trabalho, e só me vinham à mente as minhas favoritas do tempo de criança, da Turma do Balão Mágico, Trem da Alegria... De Ursinho Pimpão a Lindo Balão Azul, passando por He-Man, Thundercats, embarquei uma viagem de volta à infância. A poucos dias de completar 37 anos, fiquei me perguntando se o meu aniversário seria a causa desta vontade tão grande de ouvir as canções que me fizeram tão bem, quando eu era mais nova. Percebi que o que mais me faz falta, da infância, é a inocência original. É o alegrar-se por nada, a simplicidade, a esperança e a certeza de que “só quem luta pelo bem é invencível”. Pude ouvir isto nas canções que escolhi. Tudo ainda está ali. E em mim, também. Voltar ao começo me traz mais inteira. E viva a regressão! :)

terça-feira, 9 de março de 2010

Dia de Maria

Hoje é dia de Maria. Não, não estão exibindo a minissérie da Globo aqui, não! Destinei este dia para limpar e arrumar a casa. Afinal, ela vai "bombar" no final do mês: vamos receber visitas do dia 20 ao dia 18 de abril, oba!! Não sei vocês, mas eu não gosto nada, nada de tarefas domésticas. Mas estou aproveitando para ver o lado filosófico da coisa. Preciso limpar alguns sentimentos, polir muitas intenções, arrumar minha cabeça. Não é muito fácil morar fora do país, longe dos amigos, da família, procurar emprego, enquanto me adapto à vida de casada. Por isso, hoje será um dia de muita limpeza: de casa e de alma. Haja pano de chão! Hehehehe

sexta-feira, 5 de março de 2010

De fios e desafios

Imaginem vocês que, daqui da minha janela favorita, vejo grande parte do jardim. E ontem vi algo inusitado. Um pássaro selvagem (não me façam perguntas de prova, do tipo: que pássaro era?, please!) veio pousar nas estruturas que apoiam as roseiras. O pobre tinha as patas amarradas por um fio laranja. Ele ficou horas tentando se livrar daquilo, sem sucesso. Bicava de lá, bicava de cá, e não havia progresso. Até que eu decidi ir lá fora para tentar ajudá-lo. Fui bem devagar, para não assustá-lo. Mas não adiantou. Assim que ele percebeu a minha presença, foi embora, com aquele fio pendurado nas patas. Fiquei pensando que ele tinha voado pra longe de alguém que poderia aliviar o sofrimento dele. Tudo bem, vocês podem me dizer, mas é um pássaro, não um ser humano. E esse é o meu ponto de hoje. Fiquei pensando: quantas vezes nós, ditos racionais, não deixamos alguém nos ajudar? Quantas vezes também fugimos voando – e olha que nem somos passarinho – com nossos fios pendurados? Dói ver um amigo ou alguém precisando de ajuda, mas que quer ficar sozinho. E quando somos nós? Um grande beijo!