sexta-feira, 5 de março de 2010

De fios e desafios

Imaginem vocês que, daqui da minha janela favorita, vejo grande parte do jardim. E ontem vi algo inusitado. Um pássaro selvagem (não me façam perguntas de prova, do tipo: que pássaro era?, please!) veio pousar nas estruturas que apoiam as roseiras. O pobre tinha as patas amarradas por um fio laranja. Ele ficou horas tentando se livrar daquilo, sem sucesso. Bicava de lá, bicava de cá, e não havia progresso. Até que eu decidi ir lá fora para tentar ajudá-lo. Fui bem devagar, para não assustá-lo. Mas não adiantou. Assim que ele percebeu a minha presença, foi embora, com aquele fio pendurado nas patas. Fiquei pensando que ele tinha voado pra longe de alguém que poderia aliviar o sofrimento dele. Tudo bem, vocês podem me dizer, mas é um pássaro, não um ser humano. E esse é o meu ponto de hoje. Fiquei pensando: quantas vezes nós, ditos racionais, não deixamos alguém nos ajudar? Quantas vezes também fugimos voando – e olha que nem somos passarinho – com nossos fios pendurados? Dói ver um amigo ou alguém precisando de ajuda, mas que quer ficar sozinho. E quando somos nós? Um grande beijo!

Um comentário:

  1. Fernanda, que lindo! Você conseguiu fazer uma anologia surpreendente. No início do texto, fiquei pensando que você faria apenas uma observação do cotidiano (um pato selvagem na sua janela...). Mas foi incrível a maneira como comparou o ato de querer ajudar + a fuga do pato com o que acontece com nós, humanos... Parabéns! Em poucas linhas, algo muito profundo...

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